Muito mais que proteção bucal

O facto de serem colocados na boca, faz ser natural que os leigos em pugilismo pensem que sua finalidade é a protecção da boca (lábios, dentes e a mucosa). Em verdade, por muito tempo os pugilistas também tinham essa opinião. Só após a observação de alguns treinadores mais atentos que perceberam que um pugilista que perde com facilidade seu protetor também é facilmente nocauteado que essa opinião mudou. 

Com efeito, querendo aprofundar essa observação, alguns médicos e dentistas - como foi o caso de James B. Costen, cerca de 1960, e Hickey, em 1967 - fizeram estudos de raios-X da cabeça de pugilistas veteranos e até experimentos com cadáveres que lhes levaram a entender as vantagens e desvantagens dos protetores convencionais. Esses estudos, bem como o surgimento de novos materiais, como plásticos e resinas com a capacidade de dissipar forças em vez de transmití-las, fizeram com que a estrutura e finalidade dos protetores bucais evoluísse bastante. Como resultado de todo esse trabalho, temos que atualmente as finalidades maiores dos modernos protetores bucais são ajudar a evitar lesões cerebrais, lesões das juntas do queixo, fraturas da mandíbula e a herniação da coluna cervical. Bem atrás em importância, vem a proteção dos dentes, gengivas e lábios.

Segundo o historiador do boxe B. R. Bearden, em 1902, o Dr. Jack Marles, um dentista de Londres, inventou o primeiro protetor bucal: era o gum shield, ou "escudo de gengivas". Ele já tinha várias características hoje consideradas fundamentais: era feito com um bom material, borracha, era feito sob medida e colocado na arcada dentária que mais se projetava.